sábado, 18 de agosto de 2018

Sobre bichos e coração Estive ocupado rastreando pistas/ Nos cabelos do filósofo de olhos tristes / No verde-claro do dorso de um louva-deus / No canto onipresente de grilos e cigarras/ Em envelopes fechados que não chegaram aos seus destinos/ Nos fios dos postes recobertos de sal e pássaros./ Rastreei pistas/ Escrevendo sobre um viajante que não viajava/ Esperando saber de onde viriam seus vagalumes / Cultivando cogumelos vermelhos que vieram em caixas hermeticamente lacradas./ Descobri/ Que podemos gostar de objetos inanimados / Como é fácil se apaixonar por algum animal / Que mil garças de papel conectados por fios se chama senbazuru / Que jóias, frases e amores não podem ser replicados./ Rastreando pistas e meus movimentos /o próprio coração.
No dorso do esqueleto de uma baleia A roupa do ambientalista gruda de sal e algas seu relicário virou pátina enquanto faz o inventário de peixes e da fauna marinha e objetos flutuantes nos oceanos e descobre que no dorso do esqueleto de uma baleia há o declínio das calotas polares uma caixa de metáforas e um maremoto se aproxima. Acendo uma duzia de velas vermelhas para os orixás acalmar os mares e os homens.

sábado, 2 de junho de 2018

A delicadeza da morte

A delicadeza da morte ronda os gatos que choram o mundo nos olhos da mãe. Etéreos, flutuam, e a luz do Sol fura as cortinas cospe fogo nas paredes nos cantos da casa. A noite explode na delicadeza da vida um instante, abre a boca na geografia dos felinos e suas ausências. Tulipas Iansã Nagô Pássaros dão as boas vindas enquanto eles viram chorume húmus pó.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Inexistir

As pessoas morrem. Os gatos morrem. Os peixes morrem. Os mendigos morrem. Eu morro. Minhas tias morrem. As plantas morrem. Antes começaremos a temer o escuro do quarto. As praças. As praias. A cidade. Os livros. As outras pessoas. Restará a nostalgia de um tempo simples, como uma tarde numa cidade do interior, dois ovos dentro de uma chaleira cozinhando. De filmes norte-americano numa sessão da tarde e suas crianças esquecidas. Uma noite com cordel sendo lido. Inexistir é a diferença entre fugir ou se afastar enquanto aos poucos vamos nos reduzindo a signo, holograma, diagrama? A certeza que nos encontraremos em outra galáxia? Existirá um dia que inexistiremos. Todas as certezas se apagarão. (by, franck) (imagem: internet)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Último verão

A última vez que estiveste aqui foi num verão quando redescobrimos a cidade nos dias mais longos e abacaxis apodreciam no calor do Hemisfério Sul por toda a Ilha enquanto lia poemas para você que sempre gostou mais de números e jogos. O verão tatuou-se nas nossas peles naqueles dias e um silêncio se instalou e deixava à vista a palavra amor nos nossos olhos dentro da varanda, na janela, nos lençóis nas nossas roupas brancas no pandemônio que a casa se tornou. A última vez que estiveste aqui o som parece ter ficado dentro das fotografias nos cigarros que fumamos em cafés nos poemas que não foram lidos no telefonema que você não deu. (by, franck) (imagem:Ruy Barros)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Estou vivendo no lado escuro da Lua

Tiraram o Sol do céu e estou vivendo no lado escuro da Lua. Tomo um drinque até ver o sol desaparecer além mar. Mas as estrelas podem ser brilhantes nessa cidade também, mesmo que não seja tempos felizes para ninguém. Talvez para o dono daquele cachorro indo acrobaticamente atrás de um disco de plástico, para as crianças que se satisfazem com piruetas em suas bicicletas, patins e skates. Drinques me deixam silencioso. Não confundam silêncio com força. Mas gosto do último gole, aquele que marca a fronteira entre a coerência e a confusão. Aquele que me deixa encapsulado da dor e da desordem da cidade cujo coração é um coagulo de vias expressas, avenidas mal iluminadas, subúrbios cheios de janelas exibindo flores de plásticos. Explodiram um brechó aqui onde estou. Tocava Chopin, a garçonete me disse, como disse que não gosta desse tipo de música, que estraga seus ouvidos nordestinos. Pelos escombros e calçadas se encontra ainda tecidos feito à mão, gravuras rasgadas, jarros de vidros cheios de massas orgânicas... Estou vivendo no lado escuro da Lua. Se a noite se estender muito ou a manhã começar antes da hora, poderei ver além dos escombros que tudo parou no horizonte. Que o dia desaparece atrás do viaduto. Que a primavera que não veio ainda espera na esquina para avançar entre ipês amarelos, rapazes usando sungas de praia, batons vermelho, camisetas manchadas e sandálias de dedo... Mas nada disso poderá salopar nossa masculinidade. (by, franck) (imagem, net)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Anúncio

Andei tricotando uns casacos, pregando uns botões, cerzindo umas meias. Disseram que deveria colocar um anúncio 'costura-se para fora'. Mas acho que vou anunciar é que já posso casar. (by, franck)

(Quem dá a volta ao zodíaco comigo...)

EU...

Minha foto
São Luís, MA, Brazil
Um brasileiro-nordestino, um cara comum, qlq um, como diria Caetano Veloso...