quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ouço, degusto, choro,olho, cheiro e vejo poesia...




Disseram-me que escrevo poesias, todo prosa, acreditei. Agora ouço poesia no canto dos passarinhos. Na voz de Nina Simone. No choro do guri da casa vizinha. Nos latidos de um cão na madrugada. Agora degusto poesia no café com leite pela manhã. Num suco de maracujá. No sorvete na noite aproximando. Na cerveja com amigos num bar da orla. Agora choro poesia com a família que mora sob a ponte. Com a fonte iluminada da praça no centro da cidade. Agora olho poesia na manhã cinzenta de dezembro. No rapaz de calção de banho azul entrando no mar. Nos cabelos encarolados da moça negra. Nos olhos violetas da minha amiga Elizabete. Agora cheiro poesia na terra após a chuva da tarde. Na grama recém cortada. No perfume da anciã no ônibus ao meio-dia. No pão assando na padaria às quinze horas. Com o incenso queimando nas ruas com a chegada do fim do ano. Agora vejo poesia pintada nos sobrados de azulejos do centro histórico da ilha. Na tela de um artista de rua. No colorido das frutas do vendedor na praia.Trago poesia na agenda. Na carteira. Nos bolsos. Na alma. No coração...Enfim, todo prosa, acreditei na poesia!(by, franck - imagem: net)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nos olhos uma luz de pirilampos...




Pedro, homem do mar, nele habitam conchas, algas, ostras. João, homem urbano, carrega consigo buzinas, cronômetro, gravatas.Pedro, homem das águas, têm nos olhos uma luz de pirilampos, escaravelhos, estrelas. João, tão chão, porta óculos, porão, binóculos, sotão, lunetas.Pedro, homem marinho, mas com seu coração montanha, falésia, geleira, tão abissal. João, brotando girassois, avencas, orquídeas, um jardim no coração.Pedro chega todo iníco de noite cheirando a salitre, peixe, cerveja, mangue. João à sabonete, shampoo, creme de barbear, loção de barba, perfumes no ar.Pedro senta na mesma poltrona e encontra João tomando vinho, ouvindo músicas, envolto com panelas, dizendo cansado de seu dia. Pedro conta causos de sereias, iemanjá, raios, trovões, chuvas e pescadores. João finge que se interessa, olha para o corpo de Pedro com tesão e tenta esse homem amar.



(by, franck - imagem: net)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cheirando a campos de papoulas






Quero vc antigo. Apaixonado. Equilibrista num domingo de junho, como aquela tarde azul à beira mar, menino ostra. Quero você sem guarda, sem proteção, no olho do furacão. Rosto carmim. Caulim. De olhos fechados, mas de braços abertos, numa noite de chuva, percorrendo zonas perigosas ou nosso jardim do Edén? Quero você nos meus planos futuros, assim... Como ontem, naquele bar, sentimental eu fico, sou. Somos. Homem lobo. Olho no olho. Mão na mão. Pensamentos num janeiro, numa viagem. Quero você, porto não tão seguro, mas atracado, cais. Ilha. Noites de bossa. Fossa. Contramão, mas você na direção de nossos dias, do carro, do meu coração... Quero vc, sim, como hoje ao telefone, manhã nublada, falando das pessoas nas ruas. Os gritos na feira. Os gatos em casa. Das nossas plantas. Relembrando o homem antigo. O de ontem. Vislumbro as lantejoulas da loja ao lado. Rimos das nossas visitas. Quero o chá que está tomando. Quero você, assim, nos meus sonhos, real, atemporal. Medos e brilhos. Blues. Cheirando a campos de papoulas. Quero você, sorridente, como fotos em sépia, vintage que fomos. Somos. Polaróide. Cartão postal de nossa felicidade.(by, franck - imagem: internet)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Não colherei girassois na noite que se aproxima



Trago correntes nos tornozelos, por isso não atravessarei desertos como o beduino que quero ser. Mas beberei toda a água de um rio, dromedário que sou. Esse rio seria meu istmo naverrante, mas estou prisioneiro nesta ilha de algum continente.

Trago correntes na alma e sou um elefante, aquele que se isola dos seus com a iminencia de sua morte. A solidão chega nos olhos tristes desse elefante e em alguma tarde azul, e, eu choraria para a lua se a olhasse no pedaço de céu que vejo da minha janela. Mas nem o azul da tarde e nem o prata da lua invadem o branco mais branco que habito.

Trago correntes nos pulsos, por isso não cavo tunéis. Não darei abraços. Não colherei girassois na noite que se aproxima. E essa mordaça na boca? Sou um cão longe de sua matilha, uivando para a lua que não vi e nem sei se apareceu. Queria gritar. Cantar. Chamar por você, que nem sei se existe.

Não sei se é sonho. Alucinação. Realidade. Só sei que é outro dia. Um dia cinzento. Talvez chova por todo o planeta e as águas, os raios e os trovões desse dilúvio arrebentem correntes, mordaça, lavem minha alma e me levem para algum deserto. Para a lua. Para algum caos urbano. Assim me salvaria beduino. Dromedário. Elefante. Cão. Ou o humano que não sei se ainda sou.



(by, franck //imagem: internet)

domingo, 23 de outubro de 2011

Tenho tido sonhos estranhos...



Tenho tido sonhos estranhos: perdi o trem num país estranho e já anoiteceu, mas tenho um mapa em relevo e paira um cheiro de chumbo no ar. Do outro lado da estação um menino de olhos verdes usa pele de cabra e toca uma flauta tosca, um fauno, talvez. Acordo nas madrugadas desses sonhos recorrentes e a ideia do futuro circula dentro de mim, vou até a janela da minha casa, que é só uma entre milhares nessa cidade, assim como meus sonhos, meu futuro e minha vida é apenas mais uma história na cidade que amanhece. Adoro a cidade, mas nunca me senti realmente à vontade nela, quero morar junto à natureza, criar raízes e deixar o cabelo e a barba crescerem, plantaria rosas, porque já tive alguns jardins, mas nunca plantei rosas. Plantaria também ervas aromáticas. Andaria descalço no orvalho. Cheiraria a sal, porque teria também mar. Os moradores deixariam a chave pendurada na porta. Levaria livros de poesia quando fosse caminhar, porque a caminhada combinaria com poesia. Uma coruja pia no quase amanhecer, penso na coruja de Minerva.

Tenho tido sonhos estranhos e recorrentes. 'Você deve mudar sua vida', disse Rilke. Penso nas minhas listas com cinquenta coisas que quero fazer antes de morrer que estão por toda a minha casa: na mesa de jantar, no balcao da cozinha, no criado-mudo... Ando fazendo listas de coisas a comprar, metas a cumprir, planos longos, listas e listas... O sol desponta, o dia tem uma luz que gostaria de engarrafar para guardar. Tenho vontade de correr sob esse sol na manhã, como quem corre de uma tempestade. Como não perder aquele trem. Traduzir o som da flauta. Sentir cheiro de rosas e não mais de chumbo. Decifrar aquele mapa. Tenho tido sonhos estranhos. E recorrentes.



(by, franck ///imagem: internet)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vindo dos quatro pontos cardeais





Esperei o amor. Ou ele esteve aqui e não o percebi na sua estrutura abstrata, na sua leveza? Talvez não tenha percebido-o porque carrego a alma inquieta, o corpo com cicatrizes, o coração machucado? Porque o amor não veio? Ou ele esteve aqui com seus defeitos e suas loucuras manifestadas? Será que ele esteve aqui com sua mediocridade e sua incompreensão? Porque o amor pode nos deixar abalado. Desintegrado. Dilacerado. Aí tudo pode se perder, virar memórias, ou pode-se afogar, beber toda a fonte, seja ela de águas claras ou turvas, e, não matar sua sede.

Esperei o amor. Será que ele veio e não o tenha percebido naquelas tardes regadas à cervejas? Naqueles jantares com amigos? Nas manhãs nas praias? Num pôr-de-sol ao som de reggae? Numa das várias madrugadas nas quais perambulamos pela cidade? Talvez tenha esperado o amor como asas transparentes. Como uma lua cheia. Mãos de sedas. Retalhos coloridos. Tingido de arco-íris. Vindo dos quatro pontos cardeais. Das cosntelações. Num olhar escancarado de paixão, loucura ou lucidez...

Esperei o amor, porque esse sentimento tão volátil não veio? Ou ele esteve sempre aqui? Quais os sinais para percebê-lo?



(by, franck ////imagem: internet)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Será que nos conhecemos?



Conheço gente que tem noites insones. Conheço gente que só faz sexo de manhã. Conheço gente que tem hálito de maconha. Conheço gente que exerce uma atração para o outro como se fosse um imã. Conheço gente que vai a reggae sempre as quintas-feiras. Coenhço gente que come pizza de madrugada. Conheço gente que passa feriados com amigos em sitios. Conheço gente que é anorexa. Conheço gente que telefona quarenta vezes para a mesma pessoa numa madrugada. Conheço gente que ama independente de sexo. Conheço gente que manda o outro ler um livro e ela mesma não faz. Conheço gente que fechou o coração e as portas de casa. Conheço gente que faz aniversário hoje. Conheço gente que faz esportes. Conheço gente que toma antidepressivo. Conheço gente que só se veste de preto. Conheço gente que fuma. Conheço gente que não ama. Conheço gente solitária. Conheço gente que arde de desejo. Conheço gente que faz churrasco aos sábados. Conheço gente que escreve poesia. Conheço gente que dirige moto. Conheço gente que não gosta de dirigir carro. Conehço gente que ouve Nina Simone. Conheço gente que faz terapia. Conheço gente que fez uma lista das cinquentas coisas para fazer antes de morrer. Conheço gente que chora ao telefone. Conheço... Conheço... Conheço ele. Conheço ela. Conheço você. Será que nos conhecemos?






(by, franck////// imagem: internet)

sábado, 13 de agosto de 2011

Um beijo...




Um grande beijo, para você, meu amor, quando existir. Um beijo para ninguém. Para um cara que eu beijei numa exposição. Para tantos outros que beijei na juventude. Para os que nunca beijei. Um beijo para aqueles que quase beijei. Para toda gente que gosta de viver. Para os que vão morrer hoje. Um beijo virtual. Um beijo para minha mãe. Um beijo grande para mim. Para os que amam. Para os que odeiam. Um beijo na boca, de língua, porque nunca fui de muito coito. Um beijo para a moça que passa na rua. Para o rapaz solitário sentado na praça. Um beijo de bom dia. De judas. Um beijo porque haverá sempre o tempo do amor. Um beijo para os nostálgicos, que nasceram com a saudade na alma. Um beijo nos nossos corações urbanos. Para quem espera um milagre. Para quem perdeu as esperanças. Um beijo para quem partiu, Um beijo para quem vai voltar. Para os amigos, um beijo. Um beijo para um desconhecido. Um beijo. Um beijo. Um beijo, para todos...




(by, franck)////(imagem : internet)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Uma manhã de julho



Ele encontrava-se numa daquelas manhãs que a solidão quer chegar de mansinho e para afastá-la liga-se a televisão, abre portas e janelas, coloca uma música... Sim, para se ter a sensação de não estar sozinho. Guarda-se a angústia no bolso e busca o céu azul, o dia luminoso, os livros e os cds, telefona-se para alguém ao acaso e o dia não naufraga como algum outro nos quais os traumas, os medos e os choros vieram à tona.

Era uma daquelas manhãs que ele não queria pensamentos confusos; queria a beleza do dia, talvez algum toque, um olhar, momentos que depois não virasse poeira... Se sentia como naquele conto de Caio Fernando Abreu: 'num deserto de almas também desertas', por isso, ouviria Loreena Mckennitt, acenderia incenso, fumaria um cigarro, faria chá, colocaria seus cristais ao sol, escreveria cartas... Mas a solidão não seria sua amiga naquela manhã.

O silêncio da casa foi invadido por sons de gaita, harpa, flauta e bodhran, a voz de Loreena o fez pensar em brisa, outono, alvorada, bosques... A música Celta tinha esse poder de fazê-lo sentir a natureza, o que, inclusive, eles mais respeitavam. Enquanto ele divagava, a campainha da porta soou interrompendo sua manhã, sua música, seu cigarro...

Na porta estava uma moça magra, mignon, óculos redondos realçando seus olhos azuis, num vestido colorido e com muitos colares, uma moça nem bonita e nem feia, naquela manhã, na sua porta. Ela se desculpou por estar ali, disse que morava no bairro, ouviu a música tocar longe e veio em busca daqueles sons, da pessoa que ouvia Loreena, algo inusitado para ela, ali, naquela manhã.

'Uma alma deserta reconhece de imediato a outra', ele pensou. A convidou para o chá, para o aconhengo de sua casa, para dividir com ele aquela manhã. E, aquele dois ficaram ali, ocupando o coração e a alma... Se iria virar poeira, se iria virar nada aquela manhã de julho, não saberiam...




(by, franck)

(imagem: internet)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Dá licença, medo?

Minha felicidade quer passar"...

(Caio Fernando Abreu)









Posted by Picasa

quarta-feira, 29 de junho de 2011





F E C H A D O


P A R A


B A L A N Ç O

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



VOLTO BREVE!!!









(by, franck /// imagem: couchsurfing)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Uma carta (quase) anônima



Que você não seja aquele homem para consumo imediato e instantâneo, mas que seja aquele que a cada dia possa ser descoberto aos poucos em seus segredos, sua alma, seu corpo. Que tenha no olhar a certeza que também sou o homem que você procura.
Que você venha invadir minha vida de um jeito que nenhum homem fez ainda, como se fosse um cobertor nas noites de frio, um filme-comédia nas manhãs de tédio, um amigo em tardes de solidão; que preencha os dias e as noites com a sua presença, suas risadas e seu carinho.
Que você seja aquele amor à primeira vista, me apaixone no terceiro encontro, que seja o amor da minha vida com um mês de namoro. Que você não venha com desculpas com medo de dizer a verdade. Que prometa telefonar para desejar boa noite e não esqueça. Que almoços, fins de tarde na praia, encontro com amigos em comum, que qualquer coisa que façamos como acender incenso, velas, haxixe, tirar fotografias aos domingos, façam parte dos nossos dias, para que os momentos fiquem registrados, mesmo que sejam aqueles infinitesimal, para que fiquem na memória e em álbuns, para que eu possa acreditar que o amor e esse homem que é você, existe.

(by, franck //imagem: internet)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Quem quer um coração? (II)




Esse coração meu. Teu. É um coração peculiar. Endêmico. O qual certas noites bate como um tambor-de-crioula. Um bumba-meu-boi. Uma matraca. Um pandeirão. Em outras, ele fica leve como o céu azul da cidade em certas manhãs. Uma tarde na praia. O lilás do açaí. Um sorvete de bacuri. Um arroz de cuxá. Mas ás vezes meu coração é praia lotada. Uma noitada com reggae. Um cacuriá. Um porre de catuaba. Um carnaval fora de época.

Tenho um coração regional, sim. Quente. Úmido. Pré-amazônico. De rios perenes. Reentrâncias. Revoada de guarás. Um manguezal. Dunas. Um delta. Uma ostra. Fauna e flora resistindo as queimadas, as enchentes, as caçadas. Um coração sobrevivente. Tropical, mas coberto de neve em certos dias. Com nome de santo, mas ateu.

Esse coração meu é uma rua de paralelépipedo. Festa do divino em Alcântara. Um casarão caindo aos pedaços. Um azulejo português antigo. Uma serpente encantada. Um navio ancorado. Uma ilha. Um continente. Todas as cores. Escuro. Uma igreja com influência bisantina. Ele é teu. Esse coração meu.



by, franck /// imagem: internet)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quem quer um coração? ( I)




Meu coração é um tambor africano. Uma batida de reggae. Um blues. Uma banda de rock. Uma balada brega.

Meu coração é lua cheia num céu de estrelas, numa noite de verão, com uma brisa suave, à beira-mar.

Meu coração é gótico. Pós-moderno. Punk. Barroco. Dark.

Meu coração tem sonos demorados e insônias insuportáveis, mas acorda de bom humor.

Meu coração é um sapo querendo ser príncipe, a espera do beijo que o transformará.

Meu coração é cumplicidade ao dividir o astral, o ritmo, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água... Mas também é egoista, guardando segredos, habitando uma concha.

Meu coração tem fome, sede, crise, calor, frio; em algumas manhãs, no início da tarde e em certas madrugadas; nas quatro estações; com resquícios de Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu.

Meu coração é um filme em branco e preto. Uma fábula. Caixa de Pândora. Ateu. Santo. Bobo. Um porão. Megalomaníaco. Um cão sarneto. Anjo. Demônio. Um deserto. Maldito. Bendito. Esse coração meu. Teu.





(by, franck /// imagem: internet)




sábado, 4 de junho de 2011

A vida não passa de uma série de truques estranhos...



A vida não passa de uma série de truques estranhos, por isso, vou ruir paredes da casa e dentro de mim; que as tardes agridoces cedam espaços para o desequílibrio. Que no cinza da minha paisagem, dos mergulhos em oceanos nublados, venham sol e barcos, máquinas de pinball em bares, tonéis de vinho em alguma vila.

A vida não passa de uma série de truques estranhos, por isso, quero dias de intemperança, não de aconchegos, monocromáticos; que os sete anéis de saturno girem a minha volta, que frutas aprodeçam, vire cimatarra, um janízaro, pastor de ovelhas sem cajado.

A vida não passa de uma série de truques estranhos, por isso, quero ser meu próprio mágico e ilusionista...



(by, franck //imagem: internet)

domingo, 29 de maio de 2011



Sou todo amor no corpo

alma

coração.

Destilo amor na epiderme

voz

poros.

Quero matar e morrer de amor

em vida.




(by, franck //imagem: internet)

domingo, 22 de maio de 2011

Viro âmbar subindo em árvores. Quartzo no escuro do quarto...





Não sou aquele que corta os pulsos e se joga pela janela. Mas sou uma Alice da cidade. Tenho crises de saudades. Doem essas saudades todas, que tento esconder no tapete da sala, no cheiro da trama e na suavidade das franjas.

Não corto os pulsos e nem me jogo pela janela e nem abro o gás, mas viro âmbar subindo em árvores. Quartzo no escuro do quarto. Um áviario de pássaros mudos. Tenho crises de saudades e as saudades doem, tento amenizar essas saudades por meio de thrillers de aeroportos, pornô suave, tomando vinho, qualquer coisa que me distraia.

Busquei por substâncias nele, como as minhas caminhadas num deserto. Como ter sentido a maciez da neve. Respirado profundamente para pegar todo o oxigênio possível das montanhas. Ter nadado em mar aberto. Como uma fotografia semiexposta vejo o cabelo dele molhado saindo do banho. Esmagando as carapaças das libélulas. O buquê de rosas picadas na sua barriga. Um cardume de peixinhos coloridos flutuando numa lagoa azul.

Não corto os pulsos, nem me jogo pela janela, nem abro o gás, mas invento um feriado. Uma virose. Tenho crises de saudades e misturo vodka, saquê, vinho; porque a paixão é escarlate. Porque a saudade é não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos. Só não posso, nem com toda a sorte do mundo, dizer não. Por isso, espero!






(by, franck //imagem: internet)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eu voltava de onde nunca havia partido...






Dirigia meu carro e na noite tinha uma lua cheia no céu. Ouvia Nina Simone quase chorando em 'I Shall Be Released'; pelos vidros do carro o mundo lá fora estava visível em vagas camadas azuis, como se eu olhasse de um submarino. Queria aquela lua. Aquela noite. Mas também a recente tarde agridoce com ele e com amigos tomando caldo de camarão e vinho tinto. Na auto-estrada libélulas. Flores. Placas sinalizando caminhos que não queria seguir. Vapores vindo do mar. Brisa. Bruma. Luzes dos navios.

O carro corria, mas me sentia num terminal de aeroporto, entre malas não solicitadas ou babagem perdida. Um exoesqueleto. Queria uma tarde agridoce, aquela noite, mas também ele deitado na cama de manhã, fumando seu primeiro cigarro e comentando da sua vida. Eu do meu tédio.

O carro na auto-estrada. A noite não era um filme, uma fotografia, mas via tudo em três dimensões. Profundidade. Distância. Proximidade. Queria coisas impertubaveis. Pensei no mangue que atravessamos sob o sol forte de um sábado. Em baleias. Na atração por ele como algum tipo de campo magnético. Queria ele lendo poesias na rede da varanda, de novo.

O carro corria mais rápido. Apesar da lua cheia, me sentia cinza, assim como minhas paisagens noturnas. Dunas numa tarde de chuva. Na memória ele lavando louças na pia da cozinha, tão prosaico. Um pássaro voando cruzou minha visão. Chorei lágrimas lentas como se tivesse um dente-de-leão meio assoprado em meu coração. As lágrimas embaçaram um farol pulsando, indicando o quê? Uma nuvem e a lua. Queria eu e ele girando sob aquela lua até que um dos dois caisse tonto e rindo naquele céu claro. Queria manhãs a tomar café preto em silêncio, sabendo que ele estaria por perto, no mar.

O carro corria... Ele havia partido... Eu voltava de onde nunca havia partido...




(by, franck // imagem: internet)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tenho cheiro de ervas verdes nas mãos!






Ele chegou numa tarde de quarta-feira. De abril. Na cidade um trânsito caótico. Mas tinha uma arco-íris no céu saudando sua chegada e no rádio do carro, músicas maranhenses. Estávamos nesta ilha, numa quarta-feira. Num fim de tarde. Num abril. Não tinha tido tempo de arrumar a casa, tirar a poeira dos cantos, das poltronas, preparar a cama, tirar os lençóis, para recebê-lo; mas depois vi que não teria sido necessário, porque sua ávidez pelo mar e sol, era tamanha, urgente, acordando às seis da manhã para nele entrar, como um marinheiro, um salva-vidas, um pescador, ou pela falta desse mar, desse sol, na cidade ao sul da qual ele veio.

Ele chegou numa tarde de quarta-feira. De um abril. Nos quatro dias sua pele sulista a cada noite mais bronzeada e cheirando a mar e sol, seus olhos cada vez mais verdes, e, os dias que passamos juntos entre cervejas, risadas, frutos do mar, cansaço, insônia, adentramos mais ao litoral para vermos dunas, lagoas azuis, um rio escuro, um céu entre o claro e o cinzento, travessias de balsas, para voltarmos quando a cidade chorava por sua partida na madrugada. Também voltei do aeroporto com lágrimas nos olhos, olhando as luzes, a chuva que arrastava garrafas, flores de plástico, latas, sacolas plásticas e eu para a minha solidão. Mas queria ele. Festa. Não dor.

Aquele feriado passou. Os dias passam, ele no sul e eu no nordeste. Matamos saudades via fone, mandando castanhas de caju, fotografias, um mapa do litoral nordestino para o roteiro de quando ele vier em julho, quando nos reencontraremos, fazermos essa viagem. Nesses dias vazios dele, tenho cheiro de ervas verdes nas mãos, me acalma molhar plantas, folhear livros ao acaso, ouvir músicas, comer abacates... Enquanto julho não vem, nesta cidade que ele não mais se encontra, volto as praias que estivemos e sinto o vento misturando terras, pólens, sementes, algas... Os dias que passam lentamente me deixam quase cego olhando o mar e seu infinito, o azul do céu, a transparência do ar. Os dias passam lentamente e desejo que logo seja julho, que tenha um arco-íris no céu da cidade quando ele voltar. Ou sol. Ou chuva. Mas que ele esteja aqui.



(by, franck // imagem: internet)

PS: Postei este texto essa semana e não sei porque sumiu a postagem e os comentários feitos nele do blogger)

terça-feira, 3 de maio de 2011



Hoje, cedinho, a cidade me presenteou com um arco-íris... O que será que tem no final do arco-íris?!!

(by, franck)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O mar me faz lembrar você




Hoje vi os mesmos restos de nuvens ao fim do dia. Vou pela cidade e atravesso a chuva. Porque a chuva forte me faz lembrar você. Assim como lembro dos sorrisos e das gargalhadas. Dos sonhos segredados. Também porque gosto dos exageros. Dos gestos largos. De frases inesquecíveis. De precipícios. De causas perdidas. Será que você é uma delas? Você que percebeu as minhas montanhas russas e voos picados. Minha sede da urgencia de beijos. De vinho tinto. Da alegria animal com sua presença. Através da chuva, cheguei ao mar, gosto do mar no outono. De canções de tristezas. De almas expostas as cicatrizes do mundo. De abraços desesperados. De nada eu sei, só sei que tudo precisa ser inventado. Reiventado...




(by, franck)///(imagem: olhares)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Um poema colorido







De manhã

farfalham flores e folhas e gravetos

na fotografia

a cauda é de um cavalo alado

tem um ramo de flores artificiais

e a dançarina está de costas

usa um colar de vidro colorido: azuis, verdes, laranja...

Os brócolis no quintal

doura o ventre das andorinhas

no sol renascido

ardendo aonde nunca chega o orvalho.

Queremos qualquer paisagem na tarde

e pensemos na longa viagem de volta

mesmo com o excesso de mar, céu azul, vinho, odores e alegrias.

As grandes aves se calam

quando passamos

cheirando a sal e sexo e amor

nativos tristes e agrestes nos olham.

Uma igrejinha. Armazéns. Mais fotografias. Um farol. Um arco-íris.

Na noite

no teu cabelo brilham estrelas

a lua

no escuro do quarto

na madrugada

te darei.



(by, franck)







domingo, 17 de abril de 2011

Sem calopsitas nas mãos...


Ontem à tarde quis você aqui na casa de amigos tomando vinho, ouvindo Thiago Pethit, tirando fotografias. Hoje quis você aqui, agora a pouco, quando passei por um café e pela vitrina vi a longa fila de banquinhos vazios contornando o balcão, numa rua também vazia. Mas você chegará aqui apenas na quarta-feira. Sem calopsitas nas mãos, mas disse que traria ovos de páscoa. Óculos escuros. Você chegará quarta-feira às 16 horas, com sol ou chuva e estarei naquele saguão do aeroporto dos meus sonhos. Não importa se não estiveste ontem ou hoje aqui, importa que vou tê-lo aqui quarta-feira, matarei saudades da sua boca. Pescoço. Das noites assistindo tevê. Dos vinhos entornados no lençol. De correr da chuva. Do cinema na primeira sessão. Do cheiro do seu perfume. Daquele sorvete da sorveteria daquela esquina. Daquele mês. Do hotel fazenda. Das muitas risadas. Porque o amor deixa saudades. Porque o amor deixa rastros.


(by, franck) // (imagem: olhares.com)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Amarelo


Ontem, sonhei que alguém me esperava, no saguão de um aeroporto, com pássaros amarelos nas mãos...



(by, franck)

sábado, 9 de abril de 2011

Congela(dor)


Se eu demorar

meus poemas

estão no congela(dor)

retire-os e coloque-os no forno

(em temperatura branda por sete minutos)

PS: Pode ir comendo-os, trarei canções para sobremesa.



(by, franck)

(Imagem: olhares.com)

domingo, 3 de abril de 2011

"Agradeço a paciência, a gargalhada, a delicadeza e o mistério"... (Martha Medeiros)




Um sábado na ilha


O sol deu as boas vindas cedinho. Ao sábado. A ilha. Para nós. A insônia deixei nos cobertores e a ansiedade segurei no tambor que era o coração. Quem iria? Quem não iria? O que ainda faltava? O que diria? Me questionava, mas era melhor deixar ao acaso, ao sabor da manhã e assim foi feito: nas mesas com suas toalhas xadrez preto e branco, decoradas com guloseimas nordestinas e sucos regionais e livros expostos e com os amigos chegando; a manhã passava nos encontrando ouvindo a doce voz da moça amiga-blogueira com suas lantejoulas brancas nos cabelos, nos inebriando com canções citadas nos textos do livro, enquanto uma chuva miudinha caiu para nos lembrar que deste lado de cá do equador estamos no período chuvoso, mas logo o sol voltou a brilhar e os risos e os abraços e os carinhos aos montes, aos tantos, chegavam no começo da tarde, no sábado que fez-se festa, discurso, lembranças aos amigos ausentes, no qual fez-se uma paz de copo d'água na cabeceira, de chave no bolso, de agasalho no frio toda a comunhão, toda a troca de toques, olhares, afagos, prosa e poesia saltando das páginas do livro lançado na praça daquele shooping, sem agorafobia, entre sons e cores e cheiros das lojas de tatuagens e piercings, filmagens, salão de beleza e pessoas indo e voltando e o calor que emanava foi fogo que não era ainda fátuo, mas que me aqueceu e carreguei tarde e noite adentro e ainda queima neste domingo, 'como no umbigo de um furação, como se no peito, um gavião'...


(by, franck)

quinta-feira, 31 de março de 2011


quarta-feira, 23 de março de 2011

Turmalina


Foi num março que vi a turmalina que brilhava no seu dedo, antes de vê-la, moça, quando os raios do sol na tarde azul refletia a pedra na sua mão. Estava esperando você descer daquele navio, usava óculos escuros escondendo os olhos verdes de tanto mar e trazia na bagagem vestes amarelas, colares de miçangas e contas coloridas, poemas de um livro inacabado, perfumes que naquele outro março invadiu a casa, ficou entranhado pelos cantos de cada espaço mesmo quando partiu.
Partiste numa outra tarde, mas essa era cinzenta, não a levei ao aeroporto, mas vi seu avião cruzando o céu da cidade, enquanto uma pipa girava, girava e girava solitária e lágrimas caiam no meu rosto; disfarcei, disse que era chuva e tentei me esconder sob uma marquise, não queria testemunha ocular, queria você, queria aquele março, suas poesias, tardes no escuro do cinema, sua fosforecente turmalina, suas vestes amarelas, seu perfume pela casa... Deveria ter te sequestrado, como disse que faria, fugiríamos num trem para algum vilarejo à beira mar no qual eu aprenderia a pescar e você usaria tranças e aprenderia a tecer redes e usaria outras vestes.
A vida é um brinquedo difícil. O que restou após tantas e tantas cartas e nenhum encontro marcado? Não fui e nem sei se foste a Olinda, moça; melhor assim, não, minto, procurei você em flash de carnaval enquanto zapiava pelos canais da tevê nas noites insones e regadas a caipiroscas de kiwi, líquido verde como os olhos que gostava de esconder naqueles óculos. Ainda usa aqueles óculos escuros? Veste amarelo? O mesmo perfume? Perdi você. Nós perdemos. Tenho perdido fios de cabelo, lembranças, vontade, vergonha... Só não perco sua lembrança e aquela turmalina na sua mão, reluzindo como um caleidoscópio, naquela tarde azul de um outro março.


(by, franck)
(imagem: olhares.com)

segunda-feira, 14 de março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

Se brilha mais no escuro?


Recebi seu toque. O que pode haver de maior ou menor que um toque? Aí tenho vontade de voltar à Sampa, rever você, rever pessoas e lugares e ir aos cinemas e teatros e shows... Porque essa cidade, como disse Caetano 'é como o mundo todo'... E você me pergunta pelo meu coração. Estou transpirando amor. Estou transpirando tesão e acabo deixando tudo isso numa toalha de banho qualquer. Minha terapeuta, a Cecília, diz que idealizo alguém, que uma pessoa como quero não existe, será? Não quero muito, não peço muito. Quero uma paixão com sabor de verdade, que toque fundo, alguém para ser conduzido com cuidado, jeito e carinho para uma viagem pelo mundo, praias, ruas, auto-estradas, matas, escadas, salas, cozinha, quartos, lençóis, fronhas, travesseiros, tapetes, banheiros, piscina, sonhos... Como sou libriano tento não me deixar vencer, galopo em sonhos, galopo na minha própria emoção cotidiana...
A solidão pode ser eterna, mas não precisa ser constante... Mesmo com essa geografia louca nos separando, temos um ao outro e pode ser que... não tenho nenhuma perspectiva para... amanhã quem sabe?... Numa praia. Num shooping. Sempre existe a tal esperança. Queria tanto te encontrar e falar de coisas vãs. As amizades estão defasadas, degastadas, como se fossem um instrumento musical que rompeu algumas cordas. Quem sabe a chuva não passe, quem sabe não passa um avião jogando flores tipo anos setenta? Aí voltarei a natação, ao pilates, a ioga, narcisismo ascendente, IN CORPORE SANTO, enfim, como o Papa gostaria, ou gostará? Viva esta Terra, onde plantando tudo dá, até hipocrisia. O oitavo pecado é o aconchego? Quero aconchego de corpos, porque minha casa está tão aconchegante, é sábado, chove, e, conheci um moço numa tarde cinza e triste, nos deixamos da mesma maneira que nos encontramos, apenas que foi numa tarde de sol e barulhenta... Esperarei... Esperaremos... Minha sensibilidade à flor da pele... 'Chorando ao telefone'... Comendo chocolate para curar as amarguras... Sentindo saudades dos nossos papos no escuro do quarto... Se brilha mais no escuro?


(by, franck)
(imagem: olhares.com)

sábado, 5 de março de 2011


É carnaval!
Tive um surto de agorafobia!


(by, franck)
(imagem: olhares.com)

terça-feira, 1 de março de 2011


Hoje recebi o livro que estou lançando e quero compartilhar com vocês a minha alegria e a emoção de tê-lo nas mãos e poder tocar, sentir o cheiro, olhar... Agradeço a todos vocês que de alguma forma contribuiram direta ou indiretamente para que o mesmo acontecesse. E quem estiver interessado(a) em adquirir o nosso 'Fogo-Fátuo', entre em contato pelo email: franck015@yahoo.com.br, ok? Obrigado, sempre!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


Enquanto o cinza-chumbo dos dias e da alma não se esvaem, sonho na obscuridade azul do futuro...


(by, franck)
(imagem: olhares.com)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Náufrago


Náufrago que sou, trago do desastre a essência de um oceano... Por isso não enlouqueço, viro pluma. Nuvem. Pólen. Náufrago que sou, trago do desastre a turbulência de um continente... Por isso não enlouqueço, viro sal. Mangue. Alga. O abissal. Náufrago que sou (mal salvo), do desastre trago a busca infrutífera pelo sentido da vida, por isso não enlouqueço, me arrasto. Me aprumo. Flutuo...


(by, franck)
(imagem: olhares.com)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Nossas preguiças, vinho e cio...


No meio daqueles lençóis, flores amarelas e nossos corpos. No meio daquelas tardes, sexo e insônia. No meio daquelas praias, nossos desejos e corpos ao sol. No meio das nossas roupas, nossas mãos e cheiros. No meio daquele amor, nossas preguiças, vinho e cio. No meio dos dias, fevereiro que passa, passará. E nós dois.


(by, franck)
(imagem: olhares.com)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Uma casa, uma rua e joaninhas...


A casa era a mesma. Não, não era, tinha mudado. O amarelo da fachada era azul, agora. A casa não tinha mais um portão, um jardim com joaninhas e o muro baixo no qual o menino ficava olhando a rua. A rua também não era a mesma, agora tinha prédios, asfalto e não era mais uma rua sem saída, com uma chácara, um sítio, algo assim, e, um riacho, muitas árvores e muitas joaninhas, também. A casa e a rua tinham mudado, o menino cresceu e nesta manhã, retornou; e, sente saudades de quando era menino naquela rua e naquela casa. Retornou fisicamente nesta manhã, pois sempre retornava aquela casa e aquela rua sem saída em manhãs e tardes e noites na sua memória. Quando estava alegre ou triste. Quando tinha frio ou medo. Naquela casa e naquela rua, o menino, hoje homem grande, ouviu histórias de lobisomem, brincou de cabra-cega e amarelinha, ouviu pela primeira vez Elis Regina, viu seu pai partindo e voltando de inúmeras viagens em navios ao redor do mundo, até não mais voltar de uma delas. Também naquela casa e naquela rua se apaixonou pela garota que voltava todas as tardes do riacho, e, o menino do seu muro contemplando encantado aqueles cabelos dourados com o sol poente. Mas um dia o menino dobrou a esquina daquela rua e deixou aquela casa para voltar apenas nesta manhã.
No jardim daquela casa amarela e naquela rua sem saída, o menino se encantou pelas joaninhas. Gostava especialemente das vermelhas com bolinhas pretas. Elas voavam. Eram vitrais. Havia muitas delas no jardim, na chácara do fim da rua, onde quer que fosse, havia joaninhas. Mas nesta manhã, as joaninhas sumiram, o homem-menino se perguntou quem nesses quarentas anos teria tido êxito em extingui-las: um vírus? O uso dos desodorantes roll? O asfalto que hoje impera na rua? O uso maciço dos inseticidas? O homem-menino não sabe, mas fica ali, na casa azul outrora amarela, naquela rua que não tinha saída, nesta manhã, buscando as joaninhas, buscando uma sombra pequena e volátil. Talvez uma última remanescente. O menino-homem, o homem-menino, busca suas joaninhas, nesta manhã.

(by, franck)
(imagem: olhares.com)

domingo, 13 de fevereiro de 2011


Quero escrever um poema outro. Que não seja sobre coisas tristes nem de melancolia desmedida. Nem de domingos ocos. Quem sabe um pouco, mas não muito pouco de bucolismo. Ativismo. Concretismo. Lirismo...


(by, franck)
(Imagem: Olhares.com)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

'Amor & Música'


Saiba que...
Não vi um avião se espelhar no olhar de alguém. Não abrir os braços para fazer um país. Não rasguei cartas de amor. Não devolvi presentes e fotografias. Não chorei com beijo de novela. Não sou descobridor dos sete mares. Não tenho uma casa no campo. Não sou além do que você vê. Não sou velho e nem moço. Não vi girassóis na noite. Não sou uma cena de cinema. Não esperei ninguém na estação, na rodoviária, no aeroporto. Não tenho nada pra colher no jardim. Não tenho fotografias em polaróides. Não ultrapassei sinais fechados para encontrar alguém. Não fiquei sujo de batom...
Mas te convido...
Para entrar no meu infinito particular. Depois do perigo. Do segundo sol. Para ficar no seu corpo feito tatuagem. Te devorar. Darei para você aquela estrela. Uma madrugada. O sabor das mãos. Drops de hortelã. Flores no asfalto. Dois rios e muito mais...
Vamos fugir, baby?

(by, franck)
(Imagem: google)

PS: No texto foram citadas músicas de Adriana Calcanhoto, Gil, Skank, Lobão, Zeca Baleiro, Eliana Printes, Belchior, Marina, Chico Buarque, Nando Reis, Marisa Monte, Osvaldo Montenegro, Isabela Taviani e outros...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


Os raios são as lembranças mais próxima das (longínquas?) fogueiras. Os raios que a noite trouxe. E as fogueiras do vilarejo onde estive, ainda ontem. Estava necessitando de uma viagem, assim como quem necessita urgente de um banheiro. Foi ótimo: pessoas encantadoras, dunas e mar e céu azul confundido-se no infinito!


(by, franck)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O que há para gostar dos dias de domingo?


Não gosto dos domingos. O que há para gostar dos dias de domingo? A mochila que ainda têm que ser feita e saber que amanhã viajarei quatro horas até chegar a casas que não são minhas? O dia esticou neste domingo e fui ao cinema: Natalie Portman, bela, em 'Cisne Negro'. Sou fã de Natalie desde 'Closer-perto demais', filme que amo. Voltando do cinema, fui na praia caminhar e pensar embrulhado na brisa e no sol da quase noite. Me sentir incompleto & imperfeito, como só um filme e um dia de domingo pode me deixar. Quem sabe viajando saberei o que se espera da perfeição, como Natalie Portman em 'Cisne Negro'? Ou são apenas elucubrações de um fim de domingo?


(by, franck)
(imagem: google)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Viagem


Vou sem mapa. Sem plano. Sem rota. Sem guia. Mais que fuga. Parto para o litoral. Cinco dias? Dez dias? Quem sabe?


(by, franck)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Fevereiro




Viagem com uma amiga aos Lençóis Maranhenses+Delta do Parnaíba+Jericoacoara+Colocar leituras em dia+Dormir tarde e acordar idem+Assistir filmes que estão na lista de espera+Dentista+Processo de publicação do livro+Visitas aos amigos e familiares+Hospedar amiga italiana=FÉRIAS!

(by, franck)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Ontem...


Ontem quis exageros. Gestos largos. Frases inesquecíveis. Abraços desesperados. Ontem quis atravessar a cidade de olhos fechados. Almas expostas às cicatrizes do mundo. Uma alegria animal. Uma causa perdida. Ontem quis vinho tinto olhando um mar de verão. Copos caindo no chão. Vozes amigas. Quem soubesse da minha sede. Quem percebesse minha montanha russa. Ontem quis canções cheias de tristezas. Precipícios. A urgência de um beijo. Ontem, eu quis... Mas foi ontem...


(by, franck)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mas ainda há música!


Durante uma semana rimos na mesma cama. Dormimos na mesma cama. Durante uma semana ele me fez acreditar que era o francês mais nordestino que eu conhecia com sua leveza de alma. No vento dos seus cabelos. No verde dos seus olhos. Com os momentos em preto e branco. Durante uma semana ficamos acordados na mesma cama e ele me disse ser filho de um pássaro quando enterrei os dedos nos cabelos dele como se fosse encontrar peixes. A torre Eiffel. O rio Sena. Labirintos. Durante uma semana tivemos tempo para cachaça e vinho e amigos e música alta. O girassol secou. Os grãos, todos, viraram pães e massas e tortas. Durante uma semana ele foi uma caixinha de ferro antiga de uma feira de antiguidade qualquer que guardei segredos e poemas e fósseis e marcas. Durante uma semana ele foi um encaixe perfeito na minha cama com seus amores formando e sua paisagem humana delirante. Não sei quantas semanas depois ele é como um barulho que vai sumindo ao longe e não se sabe precisar o momento exato em que se deixa de escutá-lo. Mas ainda há música.


(by, franck)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Sem mapas ou guias...


Dias que passam lentamente. Dias que passam rápido demais. Passo entre eles. Chuvas. Um filme nacional no cinema. Um corte horrível de cabelo. Na tevê notícias tristes. Um amigo que chega com uma notícia alegre. Entradas para show de Adriana Calcanhoto. Na madrugada, uma cama grande com um cobertor azul que me acolhe nas noites mal dormidas. Uma visita ao diagramador. Um copo vermelho que quebra da mão da diarista. Há outros inúmeros acontecimentos no mundo a todo instante. Mas, aqui, uma canção no rádio do carro. Uma revista de decoração no sofá. Um livro de poemas, inacabado. Uma viagem programada para fevereiro, nas férias. Sem mapas ou guias. Sopa com amigos numa sexta-feira. Seguimos em todas as direções e em nenhuma em particular. Enquanto isso, o mar e suas ondas. Seus moluscos. Os pombos sobrevoando minha rua. Pombos brancos. A cidade cinza. O mar azul e seus moluscos. Eu entre os dias. Rápidos ou lentos...

(by, franck)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Eu


Eu, que ando afetivamente em calamidade, transformando qualquer encontro casual em 'Império dos Sentidos'; Eu que ando com sede de amor, acima de tudo, ou talvez com a mesma desesperada intensidade, procuro alguém com quem compartilhar meu mundo, meu Wallace Stevens, poeta recém-descoberto; Eu, que fico patético às 4, 5 horas da manhã quando vejo que a noite se foi e eu permaneci só...
(by, franck)

"As mulheres compreendem isto/não se é Duquesa a cem metros de uma carruagem/Estes, então, são retratos: uma antecâmera preta/uma cama alta protegida por cortinas".
(Wallace Stevens: 'Sou o que me rodeia')

domingo, 9 de janeiro de 2011

Longe é um lugar que existe, sim!


Você me escreve e diz que longe é um lugar que não existe. Longe é um lugar que existe, sim! Dizer que 'longe' não existe é coisa de Fernão Capelo Gaivota, que (você me desculpe se não pensar assim) não tem poesia alguma, não da BOA poesia (que é a única possível). Se o longe não existisse não haveria nossas cartas, não haveria a dor da distância (espaço e tempo) dos que nos foram caros, inclusive nós! Sua carta me fez recordar de nossas despedidas no ponto de ônibus naquelas noites frias e de nossa 'amorizade' nos amassos naquele saguão do prédio da Rego Freitas. Em sã consciência, podemos dizer que ainda somos os mesmos?

(by, franck)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Escreva-me...


Escreva-me em letras garrafais para caber nos muros, em algum out-door, numa asa delta. Escreva a saudade. O tempo que passa. O desejo. Escreva-me em letras miúdas para caber nas mãos. Entre os dentes. Na agenda. Escreva a sensação de tristeza. De dor no coração. Dos fins de tarde sem nós. Escreva-me, a letra não precisa ser grande ou miúda, apenas do tamanho exato de nomear as sensações. Instantes. O peso entre a alma e a boca. Para que eu possa resgatar o meu pedaço que se perdeu em você. Ou vice-versa.


(by, franck)

sábado, 1 de janeiro de 2011

É o tempo que manda


Estive numa praia quase deserta chamada Mangue Seco, hoje, de manhã, quase madrugada ainda, na Ilha onde moro. No mar joguei sete rosas brancas e sete moedas do mesmo valor e fitas azul e amarelo e rosa e branco e verde. Ao sagrado. A Deus. A Oxum. A Iemanjá. A toda a espiritualidade!
Voltei para casa energizado neste primeiro dia do novo ano, cheirando a mar. Fiquei pensando no tempo que passa e no que me contaram: que os marinheiros, os pescadores, não levam para o mar imagens de ilhas paradisíacas e nem agêndas para marcar os dias, a vida... Será? Apenas é o tempo que manda!

(by, franck)
(foto: franck)

(Quem dá a volta ao zodíaco comigo...)

Previsões dadas...

EU...

Minha foto
São Luís, MA, Brazil
Um brasileiro-nordestino, um cara comum, qlq um, como diria Caetano Veloso...