domingo, 29 de maio de 2011



Sou todo amor no corpo

alma

coração.

Destilo amor na epiderme

voz

poros.

Quero matar e morrer de amor

em vida.




(by, franck //imagem: internet)

domingo, 22 de maio de 2011

Viro âmbar subindo em árvores. Quartzo no escuro do quarto...





Não sou aquele que corta os pulsos e se joga pela janela. Mas sou uma Alice da cidade. Tenho crises de saudades. Doem essas saudades todas, que tento esconder no tapete da sala, no cheiro da trama e na suavidade das franjas.

Não corto os pulsos e nem me jogo pela janela e nem abro o gás, mas viro âmbar subindo em árvores. Quartzo no escuro do quarto. Um áviario de pássaros mudos. Tenho crises de saudades e as saudades doem, tento amenizar essas saudades por meio de thrillers de aeroportos, pornô suave, tomando vinho, qualquer coisa que me distraia.

Busquei por substâncias nele, como as minhas caminhadas num deserto. Como ter sentido a maciez da neve. Respirado profundamente para pegar todo o oxigênio possível das montanhas. Ter nadado em mar aberto. Como uma fotografia semiexposta vejo o cabelo dele molhado saindo do banho. Esmagando as carapaças das libélulas. O buquê de rosas picadas na sua barriga. Um cardume de peixinhos coloridos flutuando numa lagoa azul.

Não corto os pulsos, nem me jogo pela janela, nem abro o gás, mas invento um feriado. Uma virose. Tenho crises de saudades e misturo vodka, saquê, vinho; porque a paixão é escarlate. Porque a saudade é não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos. Só não posso, nem com toda a sorte do mundo, dizer não. Por isso, espero!






(by, franck //imagem: internet)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eu voltava de onde nunca havia partido...






Dirigia meu carro e na noite tinha uma lua cheia no céu. Ouvia Nina Simone quase chorando em 'I Shall Be Released'; pelos vidros do carro o mundo lá fora estava visível em vagas camadas azuis, como se eu olhasse de um submarino. Queria aquela lua. Aquela noite. Mas também a recente tarde agridoce com ele e com amigos tomando caldo de camarão e vinho tinto. Na auto-estrada libélulas. Flores. Placas sinalizando caminhos que não queria seguir. Vapores vindo do mar. Brisa. Bruma. Luzes dos navios.

O carro corria, mas me sentia num terminal de aeroporto, entre malas não solicitadas ou babagem perdida. Um exoesqueleto. Queria uma tarde agridoce, aquela noite, mas também ele deitado na cama de manhã, fumando seu primeiro cigarro e comentando da sua vida. Eu do meu tédio.

O carro na auto-estrada. A noite não era um filme, uma fotografia, mas via tudo em três dimensões. Profundidade. Distância. Proximidade. Queria coisas impertubaveis. Pensei no mangue que atravessamos sob o sol forte de um sábado. Em baleias. Na atração por ele como algum tipo de campo magnético. Queria ele lendo poesias na rede da varanda, de novo.

O carro corria mais rápido. Apesar da lua cheia, me sentia cinza, assim como minhas paisagens noturnas. Dunas numa tarde de chuva. Na memória ele lavando louças na pia da cozinha, tão prosaico. Um pássaro voando cruzou minha visão. Chorei lágrimas lentas como se tivesse um dente-de-leão meio assoprado em meu coração. As lágrimas embaçaram um farol pulsando, indicando o quê? Uma nuvem e a lua. Queria eu e ele girando sob aquela lua até que um dos dois caisse tonto e rindo naquele céu claro. Queria manhãs a tomar café preto em silêncio, sabendo que ele estaria por perto, no mar.

O carro corria... Ele havia partido... Eu voltava de onde nunca havia partido...




(by, franck // imagem: internet)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tenho cheiro de ervas verdes nas mãos!






Ele chegou numa tarde de quarta-feira. De abril. Na cidade um trânsito caótico. Mas tinha uma arco-íris no céu saudando sua chegada e no rádio do carro, músicas maranhenses. Estávamos nesta ilha, numa quarta-feira. Num fim de tarde. Num abril. Não tinha tido tempo de arrumar a casa, tirar a poeira dos cantos, das poltronas, preparar a cama, tirar os lençóis, para recebê-lo; mas depois vi que não teria sido necessário, porque sua ávidez pelo mar e sol, era tamanha, urgente, acordando às seis da manhã para nele entrar, como um marinheiro, um salva-vidas, um pescador, ou pela falta desse mar, desse sol, na cidade ao sul da qual ele veio.

Ele chegou numa tarde de quarta-feira. De um abril. Nos quatro dias sua pele sulista a cada noite mais bronzeada e cheirando a mar e sol, seus olhos cada vez mais verdes, e, os dias que passamos juntos entre cervejas, risadas, frutos do mar, cansaço, insônia, adentramos mais ao litoral para vermos dunas, lagoas azuis, um rio escuro, um céu entre o claro e o cinzento, travessias de balsas, para voltarmos quando a cidade chorava por sua partida na madrugada. Também voltei do aeroporto com lágrimas nos olhos, olhando as luzes, a chuva que arrastava garrafas, flores de plástico, latas, sacolas plásticas e eu para a minha solidão. Mas queria ele. Festa. Não dor.

Aquele feriado passou. Os dias passam, ele no sul e eu no nordeste. Matamos saudades via fone, mandando castanhas de caju, fotografias, um mapa do litoral nordestino para o roteiro de quando ele vier em julho, quando nos reencontraremos, fazermos essa viagem. Nesses dias vazios dele, tenho cheiro de ervas verdes nas mãos, me acalma molhar plantas, folhear livros ao acaso, ouvir músicas, comer abacates... Enquanto julho não vem, nesta cidade que ele não mais se encontra, volto as praias que estivemos e sinto o vento misturando terras, pólens, sementes, algas... Os dias que passam lentamente me deixam quase cego olhando o mar e seu infinito, o azul do céu, a transparência do ar. Os dias passam lentamente e desejo que logo seja julho, que tenha um arco-íris no céu da cidade quando ele voltar. Ou sol. Ou chuva. Mas que ele esteja aqui.



(by, franck // imagem: internet)

PS: Postei este texto essa semana e não sei porque sumiu a postagem e os comentários feitos nele do blogger)

terça-feira, 3 de maio de 2011



Hoje, cedinho, a cidade me presenteou com um arco-íris... O que será que tem no final do arco-íris?!!

(by, franck)

(Quem dá a volta ao zodíaco comigo...)

EU...

Minha foto
São Luís, MA, Brazil
Um brasileiro-nordestino, um cara comum, qlq um, como diria Caetano Veloso...