sábado, 19 de setembro de 2015

Os bichos

Libélulas pousam no quarto, cansadas de seus voos. No corredor, elefantes as contemplam cúmplices, com seus olhos tristes.
Na sala, Frida Khalo com suas cores entre chaves, livros e cartas. Drummond na cozinha me olha enquanto recito de cor um poema dele e descubro que também tenho todo o sentimento do mundo.
Na mesa da copa, uma colher bailarina descansa de suas piruetas na jarra de suco de maracujá enquanto as chamas bruxuleantes dos pavios das velas lançam um lusco fusco aconchegante.
Vejo pelo telejornal que na praia uma baleia encalhou e lembro dos golfinhos de Pipa, tão livres. Mas me refugio do calor dos trópicos como se estivesse no aquário com meu peixinho beta azul.
Suas últimas fotografias, postadas num álbum do Facebook me fazem lembrar que estivemos próximos. Quis seus 'galos, noites e quintais'. Seu bucolismo. Ofereci e você não quis  o meu Sol do meio-dia em alguma barraca da orla marítima, em alguma duna ou alguma rua dessa cidade. Me tenha então nos poemas que enviei a você como uma tempestade tropical invadindo o outro lado do hemisfério.
Apesar de tudo, foram bonitos os dias que não tivemos, olhando todos esses bichos inanimados que fizeram da casa meu parque- aquático-zoológico particular.
(by, franck)

Um comentário:

  1. Sou fã dessas tempestades tropicais em forma de poemas.

    Bjo Franck

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(Quem dá a volta ao zodíaco comigo...)

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