sábado, 9 de maio de 2015

Souvenir


Naquele tempo que fomos pontos equidistantes nas linhas retas que deveriam nos aproximar, havia sempre uma escala e uma conexão e uma turbulência e algum aeroporto.
Foi um tempo no qual fomos pontos paralelos e os voos e as rotas e os caminhos se cruzavam e por isso abandonamos os mapas com nossas localizações, nossas latitudes e longitudes e nos tornamos linhas imaginárias em algum meridiano.
Naquele tempo os astrônomos anunciaram novas estrelas, planetas, Luas duplas, alguns eclipses; mas não conseguiram identificar no portão de uma casa numa ilha do hemisfério sul, que fui o ponto mais obscuro do universo com meus cinco centímetros mais baixo que você, no dia que me dizia adeus e sumia num entardecer para algum lugar desconhecido.
Nesse outro tempo,sou um ponto brilhante e talvez os mesmos astrônomos me confundam com as luzes da cidade. De você, lembro de uma cicatriz no seu olho direito e tenho entre os guardados como souvenir a caixa preta que foi nosso amor.
(by, franck)
(imagem: net)

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